Motivos de largar as semanas de moda!



Eu tinha prometido falar semana passada sobre o motivo de me afastar de desfiles de moda e afins. Bem logo na semana que postaria meu novo texto lembrei que no dia anterior teve inicio a temporada da São Paulo Fashion Week e acho que não teria coisa melhor que esperar passarem os desfiles para postar sobre o meu motivo. 

Pois bem, quem me conhece e acompanha o GD sabe que eu amo moda e sempre acompanhei os desfiles do RJ (extinto Fashion Rio) e a SPFW, fazia matérias e postava vídeos com os desfile, só que o tempo foi passando e fui vendo que nada daquilo estava tendo efeito e decidi que era hora de ter mais empatia para com os profissionais da área e me retirar e não fazer mais parte de um absurdo jogo de imprensa que desde lá trás já vinha literalmente cagando para o trabalho desses grandes e talentosos nomes do mercado da moda.

Lembro de estar em um desfile (não vou falar o nome da marca), e sair de lá falando para uma amiga que esse seria o meu ultimo desfile, que me recusava a ser um dos poucos que iam aos desfiles para valorizar as marcas. Vivemos em u.a era onde os 6 meses de trabalho de toda uma equipe de profissionais é tratada como lixo pela imprensa despreparada que hoje destrói a moda em todo o mundo, mas falemos do Brasil apenas. Cheguei a um ponto que eu saia da sala sem um pingo de saco para aquilo, via as e os modelos desfilando, as equipes nervosas e tudo sendo tratado feito nada por uma imprensa que hoje em dia vai aos desfiles apenas para fotografar blogueiras sem instrução e ex-bbb's falidos que mal sabem se vestir e usam legging pra reunião de trabalho dentro de um importante lugar.


Roupas belíssimas sendo esquecidas no desfile enquanto meninas vestidas iguais como se usassem uniformes era destaques nas lentes dos fotógrafos e olhos dos jornalistas, isso durante o desfile, modelos passando na sua frente mas a atenção pra cadeira do lado, "Qual sua visão para esse desfile da A...?". Juro para vocês que a resposta que escutei a blogueira dar foi "A..., é verdade esse desfile é da A...!" e em meio a cara de cu da jornalista voltei a prestar atenção na passarela por que aquele absurdo tinha sido o auge de um dia cansativo de trabalho.

Uma semana de moda tem como problema não só essas supostas "digital influencers" ou "figuras públicas" de Instagram. Nos corredores vemos um show de horrores onde o "Street Style" nos faz querer vomitar vendo pessoas totalemente mal vestidas, sem um pingo de estilo próprio, dando o ar da sua graça. Saudades da época onde cada pessoa que passava pelos corredores tinham uma característica diferente, uma visão unica da moda e sua atitude se completava com o meio e nao falo de padrão, mas sim de moda e atitude. Em um mesmo local vc via o Punk, o do Reagge, a rockeira, a indie, o colorido, o coxinha, a hippie e por ai vai. Hoje parece que o local dos desfiles é um evento patrocinado pela Farm ou addidas, basicamente todos com a mesma roupa, o mesmo piercing no nariz, cabelo colorido de crepom e aqueles tenis de academia péssimos que deveriam ficar so na academia.Sem falar nos braços cheios de sacolas de brindes das marcas, sabia que tem gente que vai pra esses eventos so pra ganhar brinde!

Sinto falta de quando víamos a fila A de um desfile ser composta de pessoas que estão ali por que querem valorizar o trabalho do artista, hoje só vemos Youtubers fazendo vlog sem nem saber quem está desfilando. Sinto falta da galera nos corredores vestido vida, vestindo atitude, queria essa era "Mareu" de volta.


Sabe, as vezes me pergunto qual é exatamente o rumo que a moda brasileira está tomando e o quanto ela está sendo prejudicada com isso. Queria saber se existe algum remédio para o que vem acontecendo com esse mundo tão incrível e mágico, lembro de uma vez ver o desfile do Lino Vilaventura e sair de lá maravilhado com aquele teatro em forma de desfile. Conheci Susana Barbosa, Maria Prata e Constanca Pasquolato numa edição do Fashion Rio e é claro que fui tietar por que não ia me controlar mesmo, nomes fortes e de referencia que jamais terão substitutos futuros de peso e importância. As vezes me pergunto se o jornalismo de moda um dia pode acabar, pelo menos da forma direta que conhecemos.

Se eu pudesse pedir algo para os grandes da moda seria para que eles nos salvassem antes que seja tarde, antes que caiamos em um limbo, em um poço muito fundo na qual a escada de subida seja menor que o topo desse buraco muito escuro.

Por isso amigos, antes de achar que a modernidade e os supostos "novos cargos" da área são de alguma forma benéficos, saibam que grande parte são vagas ocupadas por pessoas que denigrem o meio. Claro que existem pessoas maravilhosas e que fazem um trabalho maravilhoso, mas são uma pequena porcentagem dentre uma grande maioria que nos faz retroceder.

Sejam atuais e originais, obrigado pelo desabafo,

Victor Colares

Não diga ao seu filho que homem não chora!



Vivo em um país onde as liberdades são dizimadas como uma trilha de formigas sendo atacadas por um jato de inseticida, vivo em um mundo onde o "eu sou assim" é 100% substituído pelo "eu sou o que os outros acham certo" e por ai vai. Entre sorrisos sinceros e olhares desesperados, me vejo tendo a obrigação de tentar fazer com que as pessoas mudem a forma de pensar para que o errado deixe de ser essa cadeia fétida de humilhação.

Desde que nascemos, nós homens somos obrigados a travar nossos sentimentos, esconder nossos desejos e podar nossas vontades. Somos obrigados a viver em uma possa de mentira para poder satisfazer os egos e caprichos de outros homens que acham que a vida é certa da forma que eles acham, e como eles sentem que deve ser. Crescemos escutando que "isso é coisa de menina", "para com isso, homem não chora", "filho meu joga bola, não fica vendo novela" e vamos todos seguindo esse baile regado a machismo e opressão, como se o falo, fosse a única coisa importante e que desse o tom que a banda deve tocar.



O mundo em que vivemos é totalmente degenerativo, nascemos e desde o primeiro segundo de vida já somos obrigados a usar roupas azuis para meninos e rosa para meninas por que a masculinidade do homem heterossexual é tão frágil, que não o permite ver que rosa e azul são apenas cores, assim como verde é só verde e branco é só branco, e a mãe de certa forma não pode nem ser contestada por que o machismo da situação está tão impregnado, que ela própria já trata essa escolha de cores como algo normal. "Meu filho de moletom rosa? Jamais, meu filho é macho".

Certa vez estava no metrô indo pro Leblon, bairro aqui do Rio de Janeiro, e vi uma das cenas mais escrotas e lindas da minha vida. Uma pai com seu filho voltando da escola, a criança deveria ter mais ou menos uns 9 anos de idade e em suas costas uma mochila rosa da TinkerBell, as maioria das pessoas olhava e achava aquela criança linda e fofa, outros faziam piadas e falavam coisas como "baitola desde pequeno, deve ter aprendido com o pai", teve um outro idiota que falou "esse ai vai brincar com o bumbum no futuro" (buda sabe o quanto eu odeio ler ou escutar essa frase saindo da boca de alguém, poucas coisas me tiram do sério como isso). E em meio a fúria de querer socar a cara do cara e ver se o pai e a criança escutaram, eis que uma senhora indignada com os insultos vira para a criança e pergunta "Muito linda a sua mochila, quem é essa moça na foto?", o pai todo feliz olha pro filho e diz que ele pode responder. Eis que a criança fala "essa fada é a minha amiga do colégio", a senhora pergunta se ele gostava muito dessa amiga e o menino disse que sim e que por isso comprou a mochila. Óbvio que os marmanjos babacas logo colocaram o rabo entre as pernas e voltaram a sua insignificância.

Naquele dia eu vi que um fio de esperança ainda existe dentro dessa sociedade doente e nojenta, ali vimos a atitude de um pai que esta criando seu filho para ser um ser humano correto. Hoje em dia ainda é grande o numero de pais e mães que acham que ser homem é ser rude, machista, grosseiro e sem nenhum tipo de sentimentos, como se ser homem fosse olhar para o umbigo e pensar que quem manda no mundo é apenas o seu próprio pau.


De tempos em tempos esses assuntos voltam a tona e muitos acham que ele destrói "a forma correta do ser humano viver" o que é uma babaquice, por que não existe forma mais correta de um ser humano viver que viver livre. Ser oprimido e podado nunca será melhor do que viver da forma com que você se sente melhor e mais liberto, a vida é muito melhor quando podemos fazer e falar o que e como queremos, eu acredito nisso por que é o mais indicado para que possamos nos tornar uma sociedade melhor.

Precisamos parar de falar o que é de menina e o que é de menino, precisamos parar de achar que um abraço e um beijo é pior que um tapa na cara ou um soco no estomago. Ser homem não é cuspir no chão, coçar o saco e catar mulher na boate, ser homem é ter dignidade e ética, é saber dos seus deveres e de suas responsabilidades, é dar a mão ao seu amigo e falar que vai ficar tudo bem, é ser amigo da sua esposa, é olhar pra vida sem distinção de gênero como se um fosse melhor que o outro, ser homem é saber respeitar o próximo e amá-lo como igual. 


Na próxima vez que você achar que "homem não chora", que "isso é coisa de mulher" ou que "homem de verdade peida e foda-se" lembre-se, o seu umbigo não é melhor que o umbigo do colega, seu umbigo não é a verdade do mundo e que você é um completo idiota. 

P.s: seu umbigo pode estar sujo nesse momento, não seja babaca. 

Abraços,

Victor Colares

Sobre não amar o lugar que eu nasci!



As vezes sentimos coisas que não sabemos explicar, ai passa o tempo e você entende que de alguma forma precisa mudar, seja na sua profissão, seja em um relacionamento, seja com sua família. No meu caso eu acabei percebendo que onde eu vivo é o que me faz sentir um pouco de desconforto e pensar em mudança a todo o momento.

Sou carioca, nascido no bairro da Tijuca, um dos mas antigos de bairro e em minha humilde opinião, o melhor pra se morar em todo o Rio de Janeiro. Eu tinha tudo para ser aquele tipico carioca que ama praia, toma mate do ambulante, que vai ver o pôr-do-sol a beira da praia e bate palma para a grande despedida desse estrela tão bonita. Sei que ate uns 19 anos eu até curtia isso tudo, ou pelo menos acho que me enganava tentando me inserir de alguma forma nessa cidade de "Koé" e "Biscoito". Acho que todos passam por isso em algum momento de sua vida, pra mim foi um sinal de que a mudança se faz significativa.

Sou um cara que ama prédios e estatuas horrorosas de concreto, sou amante de transito mesmo xingando-o sempre, gosto de asfalto, do cheiro da cidade grande e de todas as coisas supostamente tortas que ela tem, sou amante da noite, hora do dia que eu era mais produtivo e isso vem desde a infância. Sou do tipo que troca uma praia com sol de 43 graus, por um tempo no shopping respirando aquele ar todo condicionado com aromas dos mais diversos perfumes sendo borrifados no ar. 


Queria ser aquele carioca que sai de casa de chinelo, bermuda e camiseta e vai pra algum aglomerado de gente em alguma esquina de Santa Teresa escutar MPB e beber caipirinha... bem eu detesto caipirinha. Sou aquele cara que usa bota de couro com salto de 6 centímetros em um dia de verão, kimonos (leves é claro) em dia de calor e está literalmente cagando pra tudo e todos. Sou aquele carioca que trocar a MPB de Santa por uma festa POP ou de EDM no alto de algum edifício cinza e com cara de presídio. É amigos, acho que sou o carioca com espirito mais London Style que existe aqui, ou um dos mais. 

A realidade é que eu nunca me senti parte dessa cidade, sempre via o aeroporto como uma opção de transporte além do Metrô. Certa vez estudei opções de lugares que tivessem a minha cara, São Paulo, NY, Berlin, Londres, Madri...nada que me remetesse a praia e temperaturas na casa dos 40 graus era uma opção. 

Pode super parecer que eu odeio minha cidade ou coisa do tipo, mas a verdade é que eu amo o Rio de Janeiro, ele faz parte da minha história, mas sinto que minha temporada na Cidade Maravilhosa terminou e agora levarei minha turnê para outro estado ou país, sinto essa necessidade cada dia mais. Adoraria chamá-lo de Rio de Lembrança.


Sabe, tudo na vida tem um porque, e esse por que vem unido a uma enorme quantidade de poréns e coisas que fazem a gente entender que nem tudo acontece no momento que a gente quer. Hoje eu sei que muita coisa me prende a essa cidade e que mesmo eu não me sentindo parte dela, tenho que amá-la antes para que em um futuro próximo eu possa deixá-la livre para que eu possa amar outra cidade ou país de forma mais completa e admirável. A pessoa que disse que o tempo é o senhor da razão estava certíssimo, merece ate um beijo.

Toda mudança necessita de um planejamento e uma pitada de impulsividade para fazer as coisas acontecerem, acredito que muitos de vocês que estão hoje lendo essa minha postagem estão passando por isso em muitos níveis diferentes, na minha humilde opinião acho que para cada situação existe um porém e uma forma de mudança, e para que essa mudança aconteça precisamos estar com os dois pés no chão e com muita calma no coração para fazer tudo da melhor forma. 

Eu já estou trabalhando meu terreno, já estou estudando (novamente) as possibilidades, mas ao mesmo tempo me permitindo amar o Rio de Janeiro mesmo eu não me sentindo parte dele. Confesso que vale a pena dedicar esse amor na tentativa de me encaixar nesse Rio de Amores. Mas meu coração já é de outro lugar e já já nosso amor vão se encontrar. 

E você, sente que seu coração bate por outra cidade, por outro país? 

Abraços, 

Victor

Precisamos falar de Chester Bennington e a depressão.



"20 de julho de 2017 - 10:00 da manhã

Recebi um link de uma amiga dizendo que Chester Bennington (vocalista do Linkin Park) havia sido encontrado morto com sinais de suicídio e na hora meu coração parou, só podia ser mentira, logo ele, logo o Chester, 1 mês depois do suicídio do seu melhor amigo Chris Cornell, coincidência ou não, foi no exato dia do aniversário do seu amigo que ele decidiu tirar a própria vida. Toda vez que alguém que eu admiro morre eu sinto como se perdesse uma pessoa próxima, como se eu perdesse um pedaço de mim, ainda mais quando essa pessoa “me acompanhou” desde a minha adolescência. 

Eu sempre tive problemas com depressão, ansiedade e inúmeras vezes tive pensamentos suicidas, a morte do Chester foi muito significativa pra mim, ele era um cara que eu admirava, respeitava, as músicas dele eram e ainda são músicas de libertação, salvação, um grito, literalmente um grito de socorro que aliviavam minha alma. Sempre cantei todas as música como se aquilo fosse tirar de mim todas as minhas dúvidas, medos e frustrações. 

O artista ele canta o que ele sente, o que ele vive e o Chester nunca negou a doença dele, sempre deixando isso muito claro nas suas letras, mas ainda assim eram sempre um sopro de esperança. Mas talvez fosse mais um sopro de esperança ou alívio para ele do que para nós que estávamos ali ouvindo, talvez ele quisesse apenas salvar outras pessoas já que ele não estava conseguindo salvar a si próprio. 


Kurt Cobain, foi minha primeira referência no rock, meu primeiro contato com letras mais profundas, minha primeira referência no sentido de começar a entender um pouco o que era a depressão, de entender um pouco o que era essa tristeza que tomava conta de mim, esses caras fizeram eu me sentir menos sozinha. Claro que quando comecei a ouvir nirvana o Kurt já havia morrido, por isso a morte do Chester foi tão pesada pra mim, foi como se eu tivesse levado um soco no estômago. Eu cresci ouvindo aquelas músicas, e eu ouvia aquilo e fazia tanto sentido para mim que eu não me sentia mais tão sozinha, porque eu percebia que não só ele, mas outras pessoas também sentiam esse "treco", se identificavam e aquilo de alguma forma também era importante para elas. 

Eu venho tratando essa doença já tem algum tempo e ver que uma pessoa simplesmente não suportou me faz questionar muita coisa na vida. Se o cara era tão foda, tinha uma família linda, 6 filhos, uma esposa, uma carreira de sucesso, pessoas em volta dele, amigos... se ele não suportou como eu que não tenho nada disso vou suportar? 

Eu sempre me questionei muito sobre isso, de onde eu vou tirar forças pra continuar aqui nesse plano? Ai eu penso na minha família, penso que eles não merecem passar por isso, lembro que eu estou me tratando e que talvez eu tenho forças para lutar um pouco mais. E eu tenho. É preciso muita coragem para você desistir de lutar, para você desistir de tentar, você desistir da sua vida. Muita gente acha que suicídio é egoísmo, e não é. É que às vezes as coisas pesam de uma forma que a gente acha que ninguém mais vai poder ajudar, e isso começa a afetar nossas relações com amigos, com a família, e aquele peso que era só seu passa a ser um peso de várias outras pessoas. 

O suicídio é perigoso por que você nunca sabe quando ele vai acontecer. A gente nunca sabe o que faz aquela pessoa levantar todos os dias para ir trabalhar, pra ir viver, a gente nunca sabe, tem dias que a gente não consegue ter aquele "wakeup" da cama, aí esse peso vai ficando maior e te sufocando, até que você não aguenta mais, e resolve se libertar. 


O suicida ele dá muitos sinais, ele começa a se despedir de coisas, de pessoas, mas é sempre muito sutil, se você não estiver atento, não vai perceber. A pessoa com depressão - que é ou não um suicida em potencial - não quer muito de você, só quer atenção, carinho, uma pessoa que não julgue, que não zombe, que esteja ali do lado para dar um abraço, para oferecer um ombro, pra ficar em silêncio só ali do lado. O depressivo precisa de atenção, carinho, amigos que sejam amigos mesmo, que se preocupem de verdade, que visitem, que abracem, que chamem pra sair, que chamem pra fazer coisas diferentes e que mostrem que a vida não é só aquilo, que a vida pode ser boa, pode ser alegre, que ainda tem muito para ser vivido e ser sentido e que tem alguém ali que se importa. Ela pode estar ali por telefone, estar ali há alguns metros, alguns quilômetros, mas ela está ali e vai sempre atender quando precisar. 

Mas é preciso entender que às vezes é preciso ficar sozinho, a gente precisa recarregar nossas energias, o depressivo ele sente muito, ele sente tudo muito à flor da pele tanto o que é bom quanto o que é ruim, e às vezes a gente só precisa ficar no nosso canto, pensando e isso não é ruim. Mas quando essa ausência, esse silêncio, fica muito constante ele precisa que você perceba que ele já não pode mais ficar sozinho, porque isso já é um sinal de que talvez as coisas estejam indo para um caminho sem volta. Mas não porque ele não ame ninguém, é só porque ele ta carregando um peso muito maior do que ele consegue, e ele já carregou esse peso por tanto tempo que ele já não suporta mais. 

Então quando um amigo seu te pedir por favor vem ficar comigo, me escuta, eu preciso de você, não negue, mesmo que você não possa estar fisicamente, esteja presente de alguma forma. A gente precisa se importar mais, abraçar mais, dizer que ama... a gente precisa muito mais de empatia, a gente precisa se colocar no lugar do outro, mesmo que você nunca tenha vivido isso, que você não saiba o que é depressão, nunca tenha pensado em suicídio, tenta se colocar no lugar do outro, leia mais sobre o assunto, tenta se inteirar. Mas não julgue, não julgue nunca, não questione, não diga que vai passar porque isso tudo só piora nosso estado, só faz aumentar nosso peso, nosso desespero. 

Eu perdi mais um herói, quando o Chester morreu. Eu perdi um amigo, eu perdi uma pessoa que sabia exatamente tudo que eu sentia e meu mundo está ficando cada vez mais vazio de heróis. Já se foi Kurt Cobain, Chris Cornell, Chester, estamos perdendo todos para uma mesma doença que eu luto todos os dias para não deixar me derrubar. Eu não quero ser mais uma e eu não quero que nenhum dos meus amigos sejam. 


Nós precisamos falar sobre depressão e precisamos falar agora! É importante procurar psicólogos que vão nos orientar, psiquiatras que vão nos medicar, é importante pedir ajuda e você querer se ajudar. Não é vergonha admitir que está doente. 

Então vamos fazer um trato? Se algum amigo seu, ou qualquer um que esteja lendo esse texto, precisar conversar, precisar desabafar, precisar de alguém para dividir seu peso, esteja disponível, e se você que tá aí lendo, também quiser me ajudar a carregar o meu peso eu vou ser eternamente grata. 

Vamos fazer essa doença deixar de ser um tabu, vamos nos abraçar galera, vamos nos amar, nos respeitar, sentir um pouco a dor do outro. 

Vamos sentir. 

Abraços, 

Vanessa Viana"

*Vanessa é Consultora de Moda e Produtora e TI, mas antes de tudo isso uma das minha melhores amigas e vai estar presente muitas outras vezes nesse site.

E depois da primeira vez?



Esses dias me perguntaram por inbox no Facebook sobre a atitude dos garotos após perder a virgindade e como isso influenciava na vida deles. Bem, tema um pouco complexo demais, porém foi ótimo e me adiantou um assunto que eu já tinha muita vontade de abordar no blog novamente mas estava esperando o momento certo, e ele apareceu.

É muito difícil falar sobre as atitudes de um homem após ele ter sua primeira relação sexual, complicado no sentido de que a mentalidade dos garotos mudou muito da minha adolescência para a de agora e também por que cada um tem uma realidade e um jeito de ser. Perder a virgindade é sempre um assunto que nos atormenta na adolescência, seja por questões da idade, seja pelo machismo da sociedade que força o homem a ser sempre o machão "comedor" que domina a região ou por outro qualquer. 

Agora falando e me usando como exemplo, posso falar que para mim foi uma etapa de amadurecimento, me senti mais seguro, mais forte e mais sincero comigo mesmo. Não me senti como se tivesse "virado homem", por que para se tornar um homem não basta dar uns beijos na boca e transar 1 ou 2 vezes com alguém, se tornar um homem vai além do sexo e envolve atitudes e maturidades que a maioria dos caras não possuem na média de idade que perdemos a virgindade em geral, entre 15 e 17 anos.

Na minha época de adolescente e isso já tem pelo menos uns 12 anos, eu não sentia uma cobrança pois eu nunca deixei isso se tornar uma obrigação na minha vida, foi totalmente natural. Mas na maioria dos casos, os garotos são muito pressionados, o que faz com que eles tenham uma primeira relação não muito legal o que pode ser um pouco frustrante. Porém, quando feita de forma tranquila e quista, pode ser um grande momento de libertação e de renovação, maturidade e responsabilidade.

Quando digo que o pós-virgindade é meio complexo, falo no sentido de que cada um tem sua realidade, cada um vê o sexo de uma forma. Afinal, antes do primeiro coito da vida apenas fantasiamos suposições, e depois apenas entendemos que ingressamos em um mundo novo e profundo que precisa ser analisado com cautela. Depois da primeira vez, as fantasias que fazemos do momento se tornam realidade e é um mix de sentimentos que só vamos saber como é sentir quando acontecer.


Posso falar que a atitude de cada garoto pós perda da virgindade é de uma relatividade imensa, ele pode ser um cara responsável que vai tratar o assunto com naturalidade ou pode ser um idiota que trata o tema com desleixo e isso não é bom. Sexo é algo particular de cada um, de cada pessoa envolvida no ato, mas sempre lembrando que o sexo não é um tabu e que pode ser discutido com todos, e ter a honestidade de não ser desleixado faz com que o assunto da perda da virgindade ajude aos nossos amigos e parentes a entender melhor a sua posição.

Acredito que a postura correta de um cara pós perda da virgindade é manter a sua particularidade, por que em 99% dos casos a(o) parceira(o) está tendo a primeira relação no mesmo momento e como esse momento é muito especial para os dois, preservar sua intimidade e a do outro é mais que uma atitude correta, é ser respeitoso para com a vida da pessoa que escolheu você para dar esse grande passo na vida. 

A primeira vez, faz muita coisa mudar na cabeça de um garoto, ele passa a ter obrigações e preocupações, como o uso da camisinha que é super importante para evitar as DST's (Doenças Sexualmente Transmissíveis), gravidez precoce, higiene do corpo, entre outros. 


Gente é de total importância que desde a primeira relação sexual se use o preservativo, a camisinha deve ser algo que esteja sempre na mochila ou no bolso se preciso, e caso role um momento de intimidade e nenhuma das duas pessoas envolvidas tiver um preservativo, é hora de parar e deixar para um outro momento onde a camisinha esteja na mão e para dar segurança e proteger para que o sexo seja prazeroso e seguro. Não pode dar molo não, tem que usar camisinha.

Enfim, acho que falei pontos importantes para um primeiro momento da volta do tema sexo ao blog. Estava morrendo de saudade de falar sobre isso com vocês, espero ter ajudado de alguma forma. Lembre-se sempre, precisou de ajuda ou conselho é só chamar nas redes sociais que a gente troca uma ideia sobre o tema.

Abracos,

Victor Colares

A identidade da moda



Como era lindo viver em meio a moda nas décadas anteriores a nossa, como era lindo ver o auge das grandes maisons e o boom das grandes Top's que encantavam a cada ano que passava, quebrando barreiras sem medo de represálias ou boicotes. O mundo vivia tempos áureos, onde a moda era sinônimo de inovação e revolução misturado ao clássico e a liberdade, sem sombra de dúvidas eram tempos de vitórias e de elegância. 

Hoje, em pleno 2017, com toda a globalização e facilidades que o mundo criou na área fashion, vemos a democracia da moda crescer e isso é algo maravilhoso para a sociedade e para que barreiras sejam quebradas e pessoas sejam disponíveis para todos os tipos de mercado. Mas em contrapartida, sinto que algo se perdeu em meio a toda essa conquista fashion, vejo um mundo que está perdendo sua elegância e seu charme. 

Sinto um mix de abandono com a sede de mudar algo a todo custo onde vemos menos identidade e mais uniforme. Posso estar sendo um pouco equivocado talvez, digo até um pouco indelicado, mas dentro de mim existe uma falta de abria os jornais e revistas e ver aquela gente toda na rua com seus look diferentes se afirmando como individuo e mostrando que sua roupa é um reflexo de sua identidade própria, e que podem sim mudar o mundo ao seu redor de tal forma, que essa conquista seja adquirida através de uma individualidade da qual todos nós temos direito. 


Antigamente por exemplo, você andava pelas ruas da boa e velha New York e via na mesma calçada meninas estilo teenager, caras do punk rock com seus moicanos gigantescos e das mais diversas cores, tinha o casal do country, a menina gótica e o mauricinho de pulôver. Era uma mistura de estilos que a muito tempo não temos o prazer de admirar, era uma época onde cada pessoa possuía a sua elegância particular em cada um de seus estilos. 

Acredito que isso seja culpa em grande parte do boom das Fast Fashions e grandes magazines, que transformam as pessoas em massa de manobra pra ganhar mais e mais dinheiro deixando de lado o principal, vender moda. Escutar hoje a frase "está na moda" é o mesmo que escutar "comprou seu uniforme do colégio?". Sinto falta de ver a moda nas ruas como algo revolucionário, de auto afirmação saudável, de ícones, Bowies e Madonnas. Acho que David teve muita sorte ao nascer no século passado e poder nos presentear com sua moda camaleônica e de personalidade. 


Em terra de loucura por likes, de desespero pra comprar peças de roupa sem qualidade apenas pelo nome da marca, em épocas onde o "eu" fala mais do que o nós, acho que precisamos de uma intervenção urgente de algo que revolucione todo o mundo da moda. Sei que nunca mais teremos Bowies, Cher's, Gagas ou Lagerfelds, mas de uma coisa eu tenho certeza, vamos viver em muito pouco tempo uma nova revolução fashionista, onde o mercado será salvo de forma tão extraordinária, que o que se vê hoje cairá por terra. Vamos ser salvos de uma forma tão revolucionaria, que a moda mundana voltará a ser elegante e identificativa, acredito que a moda volta sim a ter seu glamour que tanto vem sendo deixado de lado por grandes nomes do meio, que na verdade nao passam de bundas sujas marketeiros na busca da grana de bobos manobrados loucos por atenção. 

Em pouco tempo poderemos ver novamente punks, clubers, cowboys, hip hopers, e toda a galera que tem uma identidade sua aflorada, de volta as ruas mostrando para o mundo que é possível sim evoluir e revolucionar, de forma limpa, clara e elegante. Relaxa amigos, a moda vai voltar a ser elegante e charmosa. 

Abraços, 

Victor Colares

Sem expectativas, não sou perfeito



Escrevo essa carta pra te pedir calma, apenas calma. Na certa achou que eu pediria desculpas, que imploraria perdão por uma culpa que graças ao universo não tenho, que eu choraria por um remorso que não combina com meu atual momento, gritaria angústias baseadas em erros vazios e que no mundo real, não tem nada de negativo. Desde o começo eu via a vida a dois com liberdade, com apreço e com muita sensibilidade, mas acho que não foi esse o seu caso, né. O que aconteceu? 

Fiquei a noite toda tentando entender o que rolou na sua cabeça para que tivesse tal reação, tal pensamento, o que motivou sua explosão de forma fria e te afastasse de mim. Mil e uma nóias passaram pela minha cabeça, e sim eu me culpei em alguns pontos, mas cheguei em um cruzamento de questões que trouxeram a paz interior ao meu corpo, ao meu espirito. Não é culpa minha se a sua forma de amar faz você ficar cego em meio a um enorme tiroteio de emoções. 

Queria te dizer que não é culpa minha não ser perfeito, não vou pedir desculpas por ser um ser humano que vive a vida de forma feliz e que mesmo em meio a essa felicidade, erra. EU ERRO, NÃO SOU PERFEITO, SOU UM BOBOCA, EU COMETO GAFES, PRONTO FALEI. E agora ficou mais relaxado? Bem eu acho que não, acho que quando nos conhecemos, você criu uma bolha em volta de mim, onde absolutamente tudo que tivesse relação comigo era de uma perfeição sem igual, como se eu fosse um príncipe vindo em um cavalo branco salvar a pessoa amada.


Não sou príncipe, não tenho cavalo branco, nem mesmo carro eu tenho. Não sou aquele cara que acorda de bom humor e posta nas redes sociais uma foto de bom dia com uma mesa de café da manhã linda by novela do Maneco. Não sou aquele que carrega você no colo como se seus pés fossem tão puros que tocá-los no chão te contaminaria com os erros mundanos. Acorda, a vida é muito mais que isso, é muito mais que uma suposta perfeição que você idealiza.

Sabe, quando for me ligar, e se for me ligar, quero que entenda que no momento da conversa, quem estará do outro lado da linha será um ser humano que erra, que comete gafes, que fala palavrão, que solta pum, que arrota, que come no subway e se suja todo, que toma coca-cola e come fandangos deitado no sofá com a barriga estufada. Quando me ligar, entenda que eu vou atravessar a rua no lugar errado, que eu vou gastar meu pacote de dados do celular mais rápido que você, vou pintar o cabelo de azul e logo depois de laranja, vou esquecer de avisar que meus amigos vão pra casa ver filme, vou esquecer que marcamos um jantar, vou contar uma ou outra mentira pra você pra não te falar que sai de casa atrasado para algum compromisso. 

Entenda que eu amo você, mas eu não sou perfeito, vou engordar e emagrecer, minhas estrias vão dizer oi vez ou outra, vou usar uma roupa suja por preguiça de lavar, vou jogar fora comida depois de pegar muito no "kilão" achando que daria pra comer tudo. Entenda que eu não vou saber te dar conselhos em alguns momentos, as vezes fico calado por que te dar meu abraço e meu ombro amigo é o máximo que eu posso naquele momento, queria poder ser um sábio que tem conselhos ótimos para tudo mas eu não sou.

Perceba que a vida é mais completa na imperfeição, ela fica mais linda quando somos apenas seres humanos livre que vivem seus altos e baixos. Talvez você ache que eu sou perfeito como forma de completar seu mundo, como seu eu fosse um tipo de professor, onde minha orientação fará você caminhar na vida de forma certa. Ok amigo, vamos com calma por que não posso te dizer onde fica o caminho de tijolos amarelos que te levará pra um nirvana por que na real nem eu mesmo sei onde fica essa estrada tão incrível.

Só queria te dizer que eu não posso ser a pessoa que você acha que eu sou, por que eu sou só um ser humano fudido que não sabe nada e que sempre vai estar dando com a cara e cometendo erros. Não crie espectativas baseado em achismo, olhe para mim como eu olho pra você, não se levar tanto a sério faz com que cresçamos nesse mundão doido que vivemos. Não posso fazer sua vida 100% perfeita por que nem eu sou, sou um cara ferrado que tenta achar a paz interior e que me faça transcender como ser humano. 

Enfim, espero que você entenda.

E...quer não ser perfeito comigo?
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