GD Entrevista: Carol Bandeira

11:14 Victor Collares 0 Comments


A Festa Jukebox é uma das maiores e mais conhecidas festa do Rio de Janeiro, festa essa que arrasta milhares de pessoas para os locais onde ela acontece. Ela começou em uma cobertura no bairro da Tijuca aqui no Rio e hoje ninguem mais segura a "Juke". Criada por um grupo de amigos chefiado pela Produtora Cultural Carol bandeira a festa já tem uma próxima edição se aproximando, mas hoje vamos falar da Juke de uma outra forma.Vamos conhecer um pouco da "Chefa", vamos conhecer um pouco de Carol Bandeira, que tem um poder único que é o de fazer milhares de pessoas sorrirem, dançarem e se sentirem livres em cada edição! Amigos e amigas Jukeiros, conheçam um pouco mais de Carol Bandera!


Garotos Descolados: Carol, como você era quando criança? Era tranquila ou era muito sapeca? 
Carol Bandeira: Acho que eu fazia o tipo tranquila. Nunca fui de aprontar muito quando era criança, só na adolescência mesmo. 

GD: Na escola você era uma aluna calma, que gostava de estudar, ou era aquela que vivia na sala da diretora? 
CB: Como disse, na adolescência aprontava um pouco. Não prestava muita atenção na aula, mas também não tirava notas baixas. 

GD: Como foi a sua adolescência? 
CB: Cresci no interior e era uma criança muito tímida. Tanto que me mudei para o Rio para fazer curso de teatro, tentando melhorar esse meu lado. Então, acho que a minha adolescência foi marcada por essa transição no jeito de ser. Deixei de ser um bichinho do mato para virar uma pessoa mais comunicativa, ficando mais à vontade para interagir com as pessoas. 

GD: Quando descobriu que queria ser uma produtora cultural? 
CB: Sempre fui de fazer festinhas para amigos e, depois de um tempo fazendo teatro, percebi que eu gostava muito mais de ficar no backstage, preparando as coisas do que atuando. Gosto de ver o resultado por trás das cortinas, vendo a reação do público. É encantador ver nas pessoas o resultado daquilo que você dedicou tanto tempo pensando, criando, trabalhando e produzindo. 

GD: Você criou a JukeBox, uma das maiores festa da cena alternativa carioca! Como começou tudo isso? 
CB: Eu nunca seria capaz de criar tudo isso sozinha. Devo o resultado da JukeBox a inúmeros amigos que sempre me ajudaram muito e ao meu sócio, Rodrigo Senninha, que entrou nessa comigo desde o começo. É ótimo ver aonde chegamos. Por mais incrível que possa parecer, a JukeBox era só a comemoração do aniversário do Senninha, feita na minha casa, para alguns amigos. Acho que o formato agradou e as pessoas começaram a pedir outra festa. Fizemos, e a partir daí não paramos mais. 

GD: Como cada edição é criada? 
CB: Depende muito. A gente aproveita o período entre festas para buscar inspiração para a próxima edição. Muitas vezes, algumas viagens, conversas entre amigos e tendências que começam a pipocar por aí servem para a gente como ponto de partida. Daí, começamos a conceituar a temática, buscar novas estratégicas de divulgação, artistas que combinem com a proposta. Fora isso, ainda tem um trabalho de avaliação da data, de oportunidades e coisas que possam prejudicar o resultado final. 

GD: A JukeBox é uma festa que tem um público muito fiel, como você vê isso? Existe aquele ou aquela que você já sabe que vai encontrar em alguma das pistas? 
CB: Temos mesmo um público bem fiel e a gente adora isso! Tem os nossos fãs de carteirinha, que fazemos toda a questão do mundo de tratar bem, presentear de alguma forma e tudo mais. A gente chegou aonde chegou por causa do público, por isso, sempre nos preocupamos em oferecer a melhor festa possível e agradá-los de alguma forma. 

GD: Antes de começar cada edição, sempre vemos pelos perfis da festa nas redes sociais as fotos da montagem do cenário e de toda a preparação! Ainda rola um frio na barriga antes de cada edição começar? 
CB: Sempre! Não tem como não dar, afinal, trabalhamos tanto para criar cada edição, sempre nos preocupando com os mínimos detalhes. Bate aquela insegurança e a gente se pergunta: será que fizemos tudo certo? Será que o público vai gostar disso ou daquilo? Mas vejo isso como uma coisa positiva, fazendo com que toda a produção busque sempre oferecer o melhor. 

GD: Em relação ao público alvo, trabalhar com o público GLS é mais fácil? 
CB: Acredito que não. É um público muito exigente, que cobra muito pelos serviços que oferecemos. No inicio foi difícil, recebíamos muitas criticas. Mas sempre encaramos as criticas como construtivas e tentamos melhorar para que não aconteça mais na próxima edição. Foi assim desde o inicio e, graças a esse feedback do público, conseguimos melhorar em vários aspectos. 

GD: Uma das coisas que vemos em cada Jukebox é a felicidade que as pessoas ficam ao fim da festa. Por se tratar de um evento que defende a diversidade, as pessoas ficam mais à vontade para serem quem elas realmente são! O quanto isso é gratificante pra você? 
CB: É maravilhoso ver o sorriso das pessoas no final. É isso que nos motiva! Mas, com o tempo e vendo a quantidade de pessoas que a JukeBox atinge, você percebe que não adianta mais se limitar a fazer as pessoas se divertirem. Um dos princípios adotados hoje pela festa é a diversidade, promovida não somente através da música, mas de parcerias junto ao Estado, ONGs e empresas privadas, tentando diminuir o preconceito e propagar, de certa forma, a inclusão social e o respeito ao próximo. 

GD: Na sua opinião, o preconceito diminuiu? 
CB: Eu acredito que sim. Apesar de estarmos vendo cada vez mais atos de violência promovidos pelo preconceito e pela intolerância, acho que parcela da população se sensibilizou e já não vê mais a comunidade LGBT como diferente e, sim, como iguais. 

GD: As leis contra a homofobia são defendidas em todos os veículos de mídia, temos varias personalidades no mundo inteiro entrando de cabeça em projetos contra o preconceito. Até onde isso é ajuda e em que momento isso atrapalha? 
CB: Eu sinceramente odeio entrar nesses tipos de discussões, pois tenho a visão diferente da maioria dos ativistas. Para mim, às vezes o erro decorre de dentro da própria comunidade. Muitos fazem questão de destacarem as diferenças, dizendo: somos diferentes, sim, e merecemos respeito. Eu acredito que você não merece ser respeitado por ser diferente e, sim, porque você é igual a qualquer outra pessoa no mundo. Enquanto não pararmos de destacar nossas diferenças, nunca seremos considerados iguais. A homofobia merece ser criminalizada porque ela é um tipo de preconceito tanto quanto o racismo. Mas acho que as campanhas têm focado bem isso, por isso, têm conquistado um espaço maior na mídia e a aceitação da população. 

GD: Tem um momento em especial num vídeo da cobertura, feita pelo site Pheeno, na edição Cabaret da Juke, onde sua mãe diz o quanto se orgulha de você, acho que todos nós nos emocionamos com a declaração dela! Com esse apoio todo você se considera uma mulher de sorte, não é mesmo? 
CB: Com certeza! Ter o apoio familiar em qualquer momento da sua vida é fundamental. Graças a Deus, isso não se limita só à minha família, mas também aos amigos, pessoas que trabalho e convivo todo dia. 

GD: Falando um pouco da Carol no dia a dia. Nas horas vagas, o que você gosta de fazer? 
CB: Você já deve ter ouvido ou lido em algum lugar que sou uma workaholic, né? E sou mesmo! Até nas horas de lazer, eu fico buscando inspirações, coisas novas que possa colocar em alguma produção. Mas ninguém é de ferro, não é mesmo? Por isso gosto muito de viajar, que é o momento em que me desligo de tudo e só quero me divertir. 

GD: Prefere uma praia ou um bom passeio no shopping? 
CB: Acho que nenhum dos dois...rs Não faço o tipo que gosta de ir à praia ou que gasta horas no shopping. Prefiro muito mais gastar meu tempo livre em alguma reunião de amigos, batendo papo e jogando conversa fora. 

GD: Tem uma banda ou cantor(a) favorito? 
CB: Sou uma pessoa de fases. Tem horas que gosto muito de uma banda e depois já nem ligo mais. No meu atual momento tenho escutado muito Lana Del Rey e Ben l'Oncle Soul. 

GD: Se eu pedisse para dividir o Ipod com você, o que possivelmente estaria tocando? 
CB: Só musica eletrônica. Baixo muitos sets, fazendo pesquisa de novos DJs e musicas que funcionam nas pistas. E só consigo me concentrar escutando esse tipo de música, não tem jeito. 

GD:  Já fez uma viagem na qual pode considerar inesquecível? 
CB: Várias! Gosto muito de viajar, até porque é único momento em que descanso mesmo. E minhas ultimas viagens foram muito especiais para mim, cada uma por seu motivo, cada uma inesquecível da sua forma. 

GD: Na hora de se vestir, qual peça não pode faltar no seu armário e qual é aquela que você não empresta de forma alguma? 
CB: Acho que sou básica ao me vestir, porém, dou preferência sempre a roupas escuras. Peças pretas e cinzas não faltam no meu armário! Mas acho que não sou apegada a nenhuma peça em especial, empresto numa boa. Desde que elas voltem, é lógico! 

GD: Está lendo algo atualmente? 
CB: Os homens que não amavam as mulheres. Gosto de livros sobre suspense e mistério. Histórias que não me façam largar o livro por um minuto, curiosa sobre o que vai acontecer depois. 

GD: Fazendo a linha fã incondicional da Juke(risos), teremos surpresas na próxima edição? Já tem um mês definido (risos)? 
CB: 2012 promete ser um ano de muitas novidades. Começamos com um programa na rádio Fm O Dia e depois lançamos o nosso aplicativo para iPhone. A próxima edição também promete muitas surpresas. Para começar, vamos fazer em um novo local! E teremos mudanças também em relação ao formato da festa... Tomara que seja bem recebido pelo público! Fora isso, a JukeBox foi convidada, juntamente com a festa LOB, para comandar o evento de abertura do Hell & Heaven – Angra dos Reis, o Warm-up Pool Party. É muita coisa junta! 

GD: Carol Bandeira é? 
CB: Uma pessoa normal, que corre atrás dos seus objetivos! 

GD: Muito Obrigado, Carol, por essa entrevista, foi um grande prazer tê-la feito! 
CB: Obrigada a você pelo convite e espero recebê-lo em nossa próxima edição!



Antes de terminar, vamos deixa os Jukeiros de plantão um pouco mais ansiosos:



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