13:14 Victor Collares 1 Comments



* Por Gabriel Velasco


Quase completando 105 anos, no próximo dia 15 de dezembro, o arquiteto Oscar Niemeyer se encontra numa situação delicada no Hospital Samaritano, na Zona Sul do Rio de Janeiro. De acordo com o hospital, o arquiteto está lúcido e segue a fisioterapia respiratória e a hemodiálise. Seu estado clínico requer cuidados, e não há previsão de alta. 

Mas por trás do velho, vítima das piadas de twitteiros e comediantes on-line de plantão, está um gênio brasileiro que poucos de nós sabemos o verdadeiro valor e significado para a arquitetura e para a arte mundial. Niemeyer nasceu a 15 de dezembro de 1907 (nota: uau) no bairro de Laranjeiras, Rio de Janeiro, casou aos 21 anos em 1928 com sua primeira esposa do qual ficou viúvo em 2004, casando-se novamente em 2006. Teve uma filha do primeiro casamento, cinco netos, treze bisnetos e quatro trinetos. Em 1929 entrou pra Escola Nacional de Belas Artes (atual Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro) de onde saiu formado arquiteto e engenheiro em 1934.


Considerado por muitos o Arquiteto do Século, Niemeyer ficou famoso por projetar curvas antes impensáveis em concreto desde seus primeiros trabalhos. “Não queria, como a maioria dos meus colegas, me adaptar a essa arquitetura comercial que vemos por aí. E apesar das minhas dificuldades financeiras, preferi trabalhar, gratuitamente, no escritório de Lúcio Costa e Carlos Leão, onde esperava encontrar as respostas para minhas dúvidas de estudante de arquitetura. Era um favor que eles me faziam”, anos depois dificuldades financeiras seriam o menor de seus problemas. Em seu primeiro trabalho sozinho, na Obra do Berço no Rio de Janeiro, Niemeyer chegou a pagar do próprio bolso para que sua obra saísse do jeito que ele queria. É ou não é um artista? 


Depois de projetar uma série de prédios em Minas e BH a convite de Kubitscheck, hoje o Conjunto da Pampulha; Niemeyer começou a ganhar projeção internacional e em 1956 foi convidado para projetar a nova capital do país. Após os 4 anos que levou para a construção de Brasília, ele se tornou coordenador da Faculdade de Arquitetura da UnB, era comunista e amigo pessoal de Fidel Castro. Em 1964, aconteceu o golpe militar e na ocasião recebeu a notícia em Israel viajando a trabalho, “... durante a ditadura, tudo foi Diferente. (...) ‘Lugar de arquiteto comunista é em Moscou’, disse à imprensa o Ministro da Aeronáutica” relembra Niemeyer. Assim ele foi impedido de trabalhar no Brasil, e se mudou para Paris, seu trabalho ficou conhecido em todo o mundo e ganhou diversos admiradores. Só voltou ao Brasil nos anos 80, e já voltou projetando. 


Mas se engana quem pensa que ele só faz prédios. Niemeyer também já projetou móveis, isso mesmo, o mobiliário do Palácio da Alvorada, por exemplo, é de design dele, e foi um dos primeiros brasileiros a trabalhar no ramo. É também autor de diversas esculturas, como, a “Mão” na Praça Cívica do Memorial da América Latina em Sampa, ou “Uma Mulher, uma Flor, Solidariedade” no Parque Bercy, em Paris. É ainda autor de 14 livros, que são referência não apenas na arquitetura, mas também na literatura brasileira. Em 1991 projetou uma de suas obras mais famosas, o Museu de Arte Contemporânea de Niterói, com traços modernos, curvas impressionantes, muitos o apelidaram de disco-voador, mas a verdadeira intenção do arquiteto era imitar o movimento de uma flor se desabrochando no topo da rocha e indo de encontro ao mar da Baía de Guanabara. Bacana, não é? Dizem que se olhar do ângulo certo, visto de Niterói, o museu parece beijar o Pão-de-Açúcar do outro lado da Baía. 


Ganhou mais de 30 grandes prêmios de reconhecimento internacional, dentre eles o Prêmio Lênin da Paz, o Prêmio Pritzker de Arquitetura (considerados um dos mais importantes do ramo), o Prêmio UNESCO 2001, na categoria Cultura e foi declarado, em 2005, Patrono da Arquitetura Brasileira. Em 2002 Niemeyer ganhou seu próprio museu em Curitiba, que, por conta do seu formato, ficou conhecido como Museu do Olho. 


Niemeyer é, para todos e não apenas arquitetos, um grande exemplo de profissional e de trabalhador. Mesmo com obras avaliadas em mais de 20 milhões de reais e com o preço de seus projetos por volta de 10 milhões de reais, até setembro de 2009, o arquiteto ia todos os dias para seu escritório em Copacabana trabalhar no Caminho Niemeyer, projeto de sua autoria em Niterói. E antes de isso tudo, é um exemplo de ser humano. Resta para gente agora esperar que o velhinho se recupere logo e volte a trabalhar e continue contribuindo por pelo menos mais 100 anos com tantos trabalhos maravilhosos quantos os que ele já nos deixou. 

Confira abaixo outras obras famosas do arquiteto. 

(Escultura "Mão" localizada no Memorial da América Latina em São Paulo)


(Edifício COPAN na cidade de São Paulo)


(Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida em Brasília) 


(Pácio Tiradentes Cidade Administrativa de Minas Gerais em Belo Horizonte)


(Sede do Partido Comunista Francês em Paris)



Até mais GD's!!!


Um comentário :

  1. Adorei o texto e a escrita do autor. Captou com simplicidade e objetividade fatos até então desconhecidos por mim sobre a vida do Niemaeyer. ;)

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