E se fosse você? Uma análise sobre o sistema carcerário no Brasil.

01:08 Victor Collares 0 Comments



Neste momento, circula um vídeo nas redes sociais, onde presos aparecem comentando sobre a situação degradante que passam , vivendo em meio a pura insalubridade. O vídeo feito nos moldes "360 graus" foi produzido pela Rede Justiça Criminal e mostra com clareza, a realidade vivida pelas mais de 620 mil pessoas que estão presas no Brasil. 

Longe de mim criar um lado e parecer que estou justificando o ato de um criminoso ou coisa do tipo, estou bem distante de achar que presos merecem regalias como se fosse uma colônia de férias onde eles apenas vão pra passar o tempo. O que eu venho questionar, é o grande número de pessoas que acham que o encarceramento em massa é sinônimo de justiça, como se presos devessem pagar suas penas como se fossem galinhas presas em granjas amontoadas e sendo engordadas para no fim, apenas restar o abate em seu destino.

Cada vez que vejo os comentários de pessoas que se intitulam "Gente de Bem" sobre esse assunto, ou sobre qualquer outro tema que envolva crimes e sentenças, eu fico meio abobalhado com a massa intolerante e violenta que o Brasil vem produzindo ao longo de toda a sua história. É sempre algo como "Bandido bom é bandido morto", "Pena que polícia não fechou, aí seria menos 1 pra assaltar", "Tem que matar mesmo pra não se reproduzir" e por aí vai, em meio a Tags em Caps Lock de "Bolsonaro 2018"...


Fico me perguntando se em algum momento essas pessoas que sentem prazer em disseminar a violência, fazem uma análise de toda a situação. Me questiono se elas antes de sentar o dedo na intolerância, ao menos debatem sobre o tema com imparcialidade e independencia emocional pensante. O que parece é que as supostas "pessoas de bem" que vivem no Brasil, estão se igualando a extremistas que atiram na cabeça antes mesmo de perguntar o motivo do feito.

Não dá pra tapar os olhos e achar que 25 presos em uma cela de 3m X 5m, com uma janela pequena para entrada do sol e circulação de ar é razoável, achar que fazer suas necessidades em uma latrina sem esgotos, dormir em meio a baratas e ratos é aceitável em uma sociedade que se diz evoluida e moderna. A situação de nossos presidiários é muito preocupante e merece atenção imediata, quem está ali cumprindo sua pena, precisa ser assistido de alguma forma. Não dá para achar que só porque a pessoa cometeu um crime, ela tem que pagar dentro de uma jaula sem limpeza e tratamento como se estivesse vivendo em um zoológico abandonado. Estamos falando de seres humanos, de seres humanos.

Existem crimes, e para esses crimes existe a lei que indica a pena para cada nível de desvio de conduta. Mas em momento algum a lei fala que a pena do preso vai além da reclusão e que de alguma forma inclua insalubridade. Temos que entender que se existe a dupla "Lei e Pena", elas devem ser respeitadas por ambas as partes, tanto pelo executor das leis, quanto pelo criminoso que está sofrendo a dureza da pena.

Todas as pessoas que cometem um crime e acabam com uma pena de reclusão, tem esse momento de encarceramento para transformar sua vida e perceber que seus erros tem consequências e que no futuro eles não são algo aceitável para viver em sociedade. O momento que o preso está em uma penitenciária, serve também para que ele faça uma auto análise de toda a sua trajetória como pessoa e assim possa se tornar um ser humano melhor. Mas lembremos que isso só é possível, com medidas concretas de ajuda como trabalho dentro das prisões, alimentação adequada, celas com condições de habitação aceitáveis, programas sociais e educativos que contribuam para a inclusão do indivíduo em um mundo mais claro e correto. Penitenciária não é clube de férias, mas também não é a boca do inferno onde definhar seja uma opção.

Basta olhar para o mundo, sem armaduras, apenas com a consciência limpa e clara e se perguntar "E se fosse comigo?", parece difícil obter essa resposta mas é mais fácil do que se imagina. Se coloque no lugar do outro, tente olhar a situação como se você fosse um personagem daquele momento em específico. E se fosse você? E se fosse seu pai? E se fosse sua mãe?

Já furou fila na cantina da escola?

Já viu que a caixa deu troco a mais e voltou para devolver?

Já roubou chocolate nas Lojas Americanas?

Devolvia o troco sem sua mãe pedir depois de ir a padaria?

Já colocou a culpa de algo que você fez no seu irmão mais novo?

Confira abaixo o vídeo em 360 graus feito pela Rede Justiça Criminal:



Abraços, 

Victor Colares

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