Sobre não amar o lugar que eu nasci!

17:51 Victor Collares 0 Comments



As vezes sentimos coisas que não sabemos explicar, ai passa o tempo e você entende que de alguma forma precisa mudar, seja na sua profissão, seja em um relacionamento, seja com sua família. No meu caso eu acabei percebendo que onde eu vivo é o que me faz sentir um pouco de desconforto e pensar em mudança a todo o momento.

Sou carioca, nascido no bairro da Tijuca, um dos mas antigos de bairro e em minha humilde opinião, o melhor pra se morar em todo o Rio de Janeiro. Eu tinha tudo para ser aquele tipico carioca que ama praia, toma mate do ambulante, que vai ver o pôr-do-sol a beira da praia e bate palma para a grande despedida desse estrela tão bonita. Sei que ate uns 19 anos eu até curtia isso tudo, ou pelo menos acho que me enganava tentando me inserir de alguma forma nessa cidade de "Koé" e "Biscoito". Acho que todos passam por isso em algum momento de sua vida, pra mim foi um sinal de que a mudança se faz significativa.

Sou um cara que ama prédios e estatuas horrorosas de concreto, sou amante de transito mesmo xingando-o sempre, gosto de asfalto, do cheiro da cidade grande e de todas as coisas supostamente tortas que ela tem, sou amante da noite, hora do dia que eu era mais produtivo e isso vem desde a infância. Sou do tipo que troca uma praia com sol de 43 graus, por um tempo no shopping respirando aquele ar todo condicionado com aromas dos mais diversos perfumes sendo borrifados no ar. 


Queria ser aquele carioca que sai de casa de chinelo, bermuda e camiseta e vai pra algum aglomerado de gente em alguma esquina de Santa Teresa escutar MPB e beber caipirinha... bem eu detesto caipirinha. Sou aquele cara que usa bota de couro com salto de 6 centímetros em um dia de verão, kimonos (leves é claro) em dia de calor e está literalmente cagando pra tudo e todos. Sou aquele carioca que trocar a MPB de Santa por uma festa POP ou de EDM no alto de algum edifício cinza e com cara de presídio. É amigos, acho que sou o carioca com espirito mais London Style que existe aqui, ou um dos mais. 

A realidade é que eu nunca me senti parte dessa cidade, sempre via o aeroporto como uma opção de transporte além do Metrô. Certa vez estudei opções de lugares que tivessem a minha cara, São Paulo, NY, Berlin, Londres, Madri...nada que me remetesse a praia e temperaturas na casa dos 40 graus era uma opção. 

Pode super parecer que eu odeio minha cidade ou coisa do tipo, mas a verdade é que eu amo o Rio de Janeiro, ele faz parte da minha história, mas sinto que minha temporada na Cidade Maravilhosa terminou e agora levarei minha turnê para outro estado ou país, sinto essa necessidade cada dia mais. Adoraria chamá-lo de Rio de Lembrança.


Sabe, tudo na vida tem um porque, e esse por que vem unido a uma enorme quantidade de poréns e coisas que fazem a gente entender que nem tudo acontece no momento que a gente quer. Hoje eu sei que muita coisa me prende a essa cidade e que mesmo eu não me sentindo parte dela, tenho que amá-la antes para que em um futuro próximo eu possa deixá-la livre para que eu possa amar outra cidade ou país de forma mais completa e admirável. A pessoa que disse que o tempo é o senhor da razão estava certíssimo, merece ate um beijo.

Toda mudança necessita de um planejamento e uma pitada de impulsividade para fazer as coisas acontecerem, acredito que muitos de vocês que estão hoje lendo essa minha postagem estão passando por isso em muitos níveis diferentes, na minha humilde opinião acho que para cada situação existe um porém e uma forma de mudança, e para que essa mudança aconteça precisamos estar com os dois pés no chão e com muita calma no coração para fazer tudo da melhor forma. 

Eu já estou trabalhando meu terreno, já estou estudando (novamente) as possibilidades, mas ao mesmo tempo me permitindo amar o Rio de Janeiro mesmo eu não me sentindo parte dele. Confesso que vale a pena dedicar esse amor na tentativa de me encaixar nesse Rio de Amores. Mas meu coração já é de outro lugar e já já nosso amor vão se encontrar. 

E você, sente que seu coração bate por outra cidade, por outro país? 

Abraços, 

Victor

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